H.FOA e Prefeitura unem forças para ampliar acompanhamento de pacientes oncológicos 

pacientes oncológicos

O tratamento oncológico não termina na consulta, no exame ou na medicação. Para muitos pacientes, a recuperação também depende de condições de moradia, alimentação, renda, acessibilidade, rede familiar e acesso a serviços de apoio. Com esse olhar ampliado sobre o cuidado, o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA) iniciou tratativas com a Prefeitura de Volta Redonda para fortalecer o acompanhamento de mais de 5 mil pacientes oncológicos atendidos pela instituição. 

A primeira reunião foi realizada na última quinta-feira, 3, no gabinete da secretária municipal de Assistência Social, Rosane Marques. O encontro reuniu representantes do H.FOA e da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) para discutir caminhos de atuação conjunta no suporte aos pacientes e familiares. 

A proposta é aproximar o trabalho realizado pelo hospital da rede municipal de assistência, permitindo que as necessidades sociais identificadas durante o acompanhamento oncológico sejam avaliadas de forma mais integrada. A intenção é que o cuidado avance para além da assistência clínica, considerando fatores que podem interferir diretamente na qualidade de vida, na continuidade do tratamento e na recuperação dos pacientes. 

Para o diretor executivo do H.FOA, Leonardo Prado, a parceria com a Prefeitura pode ampliar a capacidade de cuidado oferecida aos pacientes oncológicos. 

“O paciente oncológico precisa de uma rede de apoio que vá além do tratamento dentro do hospital. Quando conseguimos aproximar a assistência hospitalar da rede municipal, passamos a olhar com mais atenção para situações que interferem diretamente na vida desse paciente e da família. Essa parceria nasce justamente da necessidade de cuidar de forma mais completa, entendendo que moradia, alimentação, renda, transporte e apoio familiar também fazem parte da realidade de quem está em tratamento”, afirmou. 

Segundo Leonardo, o diálogo com a Secretaria Municipal de Assistência Social representa um passo importante para construir fluxos mais organizados entre as instituições. 

“O H.FOA atende milhares de pacientes oncológicos e conhece de perto muitos dos desafios enfrentados por essas famílias. Ao unir esforços com a Prefeitura, queremos construir caminhos para que essas necessidades sejam identificadas com mais clareza e encaminhadas de forma adequada. É um trabalho que exige integração, escuta e responsabilidade compartilhada”, completou. 

Para o coordenador da equipe de Psicologia do H.FOA, Ailton Carvalho, a parceria pode permitir uma leitura mais completa da realidade vivida pelos pacientes. Segundo ele, o objetivo é facilitar o acesso aos serviços de que cada pessoa necessita, a partir de uma escuta mais ampla sobre suas condições de vida e de cuidado. 

“Muitas vezes, o sofrimento do paciente oncológico não está ligado apenas ao diagnóstico ou ao tratamento. Ele também envolve medo, insegurança, dificuldade financeira, deslocamento, rotina familiar e outras situações que impactam diretamente a forma como essa pessoa atravessa o processo de cuidado. Quando conseguimos olhar para esses fatores, conseguimos compreender melhor o paciente e pensar em encaminhamentos mais efetivos”, explicou. 

Ailton destaca que o acompanhamento precisa considerar também os familiares, que muitas vezes assumem parte importante da rotina de cuidado. 

“A família também adoece emocionalmente junto com o paciente, porque ela reorganiza a rotina, acompanha consultas, lida com incertezas e, muitas vezes, enfrenta dificuldades sociais importantes. Aproximar o hospital da Assistência Social é uma forma de ampliar esse olhar e buscar respostas mais adequadas para cada realidade”, completou. 

A secretária municipal de Assistência Social, Rosane Marques, destacou a importância de aproximar o trabalho desenvolvido pelo H.FOA da realidade das famílias atendidas no município. A proposta é construir uma atuação conjunta que considere os territórios, os vínculos familiares e as vulnerabilidades que podem atravessar a rotina de quem enfrenta o câncer. 

A proposta não se limita ao encaminhamento de pacientes do hospital para a Assistência Social. H.FOA e Smas deverão discutir alternativas em conjunto, a partir das necessidades identificadas pelas equipes. A ideia é fortalecer o atendimento em rede, aproximando hospital, poder público, famílias e territórios. 

A primeira reunião marca o início das tratativas entre as instituições. A partir desse diálogo, os próximos passos deverão definir como será estruturada a atuação conjunta e quais fluxos poderão ser criados para ampliar o suporte aos pacientes oncológicos e seus familiares. 

Com a iniciativa, o H.FOA amplia o olhar sobre o cuidado oncológico e busca fortalecer a rede de apoio aos pacientes atendidos pela instituição. No tratamento contra o câncer, cuidar da doença é essencial, mas compreender a realidade de quem está em tratamento também faz parte de uma assistência mais humana, responsável e conectada às necessidades da população. 

Fotos: Clara Preta – SMAS

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